Alessandra Meleiro, Coordenadora do CENA/UFSCar, e Alexandre Muniz publicaram o capítulo “Políticas Públicas para o Audiovisual e o Cinema Expandido no Brasil: A Urgência de uma Visão Abrangente para o Futuro do Setor XR” em livro recém lançado pela Universidade Feevale, intitulado “Tecnologias, criações e novos horizontes das artes e do audiovisual”.
Nele, os autores refletem sobre como, historicamente, o financiamento de grande parte da produção e da difusão artística no Brasil esteve vinculado à ação estatal, seja por meio da atuação de instituições culturais públicas, subvenções e apoios a instituições privadas, patrocínio direto a projetos ou, mais recentemente, por meio de isenções fiscais, leis de incentivo, fundos estatais ou lançamento de editais específicos.
Mais especificamente, discutem que, no campo audiovisual, muitas das legislações e mecanismos vigentes estão orientados a formatos audiovisuais tradicionais, com foco no cinema linear e nas produções seriadas. As realidades estendidas (XR, que compreende Realidade Aumentada, Virtual e Mista), por outro lado, operam em uma lógica distinta — interdisciplinar, híbrida e muitas vezes interativa — o que exige critérios de avaliação, acompanhamento e financiamento mais flexíveis e atualizados.
Apesar do papel central que o audiovisual ocupa na cultura contemporânea, as políticas públicas ainda não contemplam integralmente as especificidades produtivas e distributivas das mídias imersivas, especialmente diante da consolidação das realidades estendidas, de outras linguagens expandidas e da multiplicação de novos formatos e mídias digitais.
O artigo discute as políticas públicas para o audiovisual no Brasil nas últimas três décadas, enfatizando a necessidade de uma abordagem sistêmica para o financiamento e regulação do cinema expandido e das tecnologias de realidade estendida (XR), enfocando os desafios significativos enfrentados pelos atuais marcos regulatórios no que tange às especificidades do setor XR.
Por fim, traça recomendações para o letramento imersivo dos agentes do setor, como forma a reconhecer o audiovisual como um campo diversificado, e para alinhamento das políticas públicas às práticas artísticas e industriais contemporâneas.
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