O artigo, assinado por Alessandra Meleiro e Marta Machado, e publicado na revista Tela Viva, analisa as aproximações política, comercial e cultural entre o setor de animação do Brasil e da China.

Desde 2009, a China ocupa o posto de principal parceiro comercial do Brasil. Ainda que o país tenha características muitas vezes difíceis de serem assimiladas em nosso referencial cultural, o momento atual da relação do Brasil com os EUA torna o cenário favorável para uma aproximação estratégica com a produção audiovisual chinesa.

Reverberando esse contexto geopolítico, o Senado Federal deu aval, no dia 9 de julho, ao Projeto de Decreto Legislativo 1.203/2025, responsável por ratificar o Acordo de Coprodução Cinematográfica firmado entre Brasil e China em 2017. Agora que passou pelo Plenário, a matéria segue para a etapa de promulgação.

Na prática, o acordo permite que produções cinematográficas realizadas em parceria por empresas dos dois países sejam consideradas obras nacionais tanto no Brasil quanto na China, ampliando consideravelmente seus potenciais de alcance de público e de comercialização em outro território. O pré-reconhecimento das coproduções abre caminho ainda para que esses conteúdos tenham acesso a linhas de financiamento, incentivos fiscais e outras políticas de apoio existentes em ambas as nações, aumentando as chances de que mais filmes sejam viabilizados e realizados em cada país.

O aval ao acordo reforça a aproximação que Brasil e China vêm construindo no campo da cultura, com o fortalecimento de ações institucionais – como o Ano Brasil-China – e a cooperação entre os setores criativos das duas nações. Entre esses movimentos, destacamos a ida da delegação de empresas brasileiras do setor audiovisual e de animação, indicadas por instituições como ABRANIMA e ABCA, ao mercado do Festival Internacional de Cinema de Xangai, em programação estratégica e cuidadosamente organizada pelo Ministério da Cultura.

A missão contou com apoio de outras instituições, entre elas Funarte, BNDES e Quitanda Produções,  que entenderam a importância da inserção de nossos conteúdos nos mercados dos BRICS. Articulado a partir de 2001, os BRICS se constitui em um grupo político e econômico de países emergentes que busca cooperação mútua. Ele é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros e parceiros recentes, como Indonésia e Arábia Saudita. Dentro deste bloco, a China é o parceiro mais estratégico para o Brasil, tanto por seu poder econômico, quanto por sua capacidade de produção e de consumo audiovisual. Além disso, a China mantém regras estritas quanto à ocupação de suas mais de 80 mil salas de exibição por filmes estrangeiros: apenas 34 obras de outros países recebem o aval da autoridade chinesa para entrar nesse circuito.

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